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Dica 1: comunicar-se é necessário
Se você pretende fazer roteiros afastados, longe de cidades ou algum ponto povoado, tenha em mão um telefone celular. Dependendo do lugar, ele pode estar fora da área de serviço, por isso sugerimos uma segunda opção, que é o sistema de radiocomunicação FRS (Family Radio System), que pode ser operado e comprado por qualquer pessoa em lojas especializadas. Hoje em dia é muito fácil de encontrá-los, às vezes são vendidos aos pares, ou em unidades separadas.
Dê preferência a aparelhos com alimentação à bateria comum, ou que aceite os dois tipos, trabalhando também com as recarregáveis. É que devido ao pouco uso a vida útil de uma bateria recarregável diminui e ela não custa barato. Independente da marca que você escolher, todos terão 14 canais pré-programados na memória e todos falam entre si, mesmo sendo de marcas diferentes. O alcance desse tipo de rádio pode variar de 1 a 3 km dependendo do tipo de relevo do local.
Existem aparelhos resistentes à água (pode molhar superficialmente, como uma chuva por exemplo), e ao choque com cantos emborrachados, que são os mais indicados para o trekking.

Como usar?
Não é necessário, que alguém fique com outro rádio acompanhando você, mas sim deixá-lo sempre ligado e avisar em qual canal você vai utilizar. Antes de começar seu trekking, sempre deixe uma ou mais pessoas avisadas para onde está indo, e o canal utilizado, assim em caso de emergência, as autoridades competentes terão mais facilidade em socorrê-lo, pois sabendo o canal que você estará utilizando, o contato é imediato.Mesmo com uma distância limitada, 3 km à pé é bastante coisa. Nunca faça caminhadas sozinho, mesmo que você conheça o local.

Dica 2: Alimentação Leve e Calórica
Mesmo que você saiba que sua caminhada não vai demorar muito, leve alguma coisa para comer, Dê preferência a alimentos com grande quantidade de proteínas e calorias, como barra de cereais, sticks de carne, chocolate ou mesmo um sanduíche feito por você, desde que bem acondicionado (filme plástico e papel alumínio são perfeitos).
Não se esqueça de uma bebida isotônica, ela repõe os sais minerais eliminados pelo suor. Na falta dela, use ÁGUA.
Obs.: Cuide da natureza, nunca deixe seu lixo na caminhada, guarde-o em sua mochila e jogue em lugar apropriado na sua volta.

Dica 3: Apetrechos Gerais
Dependendo da trilha onde se vai caminhar, é interessante levar alguns apetrechos básicos, mas lembre-se de uma coisa: você não está indo para uma guerra. Leve apenas aquilo que lhe for necessário, e se possível, divida os equipamentos com seus companheiros de trilha de modo que fiquem com um peso equivalente. Lista de coisas que podem (ou não) ser úteis em um trekking de curta, média ou longa distância:

  • Lanterna Pequena (2 pilhas no máximo)
  • Canivete Multifuncional
  • Bússola ou GPS (só leve se você souber utilizá-los)
  • Muda de Roupa condizente com o clima do local
  • Chapéu ou Boné
  • Óculos de Sol (com cordinha de segurança)
  • Relógio de Pulso
  • Protetor Solar
  • Repelente de Insetos
  • Estojo de Primeiros Socorros
  • Isqueiro ou Fósforos
  • Embalagem Plástica de lixo pequena
  • Capa de Chuva leve e dobrável

Botas para trekking: dicas valiosas para escolher a sua

1. Comprar a bota não é uma tarefa simples. Você precisa da ajuda de um especialista, que saiba explicar os detalhes de materiais e as diferenças entre as dezenas de modelos. Ou você vai ficar louco.

2. Nossos pés costumam aumentar ao longo de caminhadas longas. Não assuma portanto que a bota que você vai comprar é do número do sapato ou tênis que você usa. O melhor é medir os pés no momento da compra. Algumas lojas tem lá uma "traquitana" para medição do tamanho exato dos pés. Uma bota apertada é tudo o que você precisa para arruinar seu trekking.

3. Uma vez conhecido o tamanho, cuidado com os vários modelos. Uma bota número 40 nem sempre tem o mesmo tamanho de uma 40 de outra marca ou modelo. Se você está nos 40, experimente o 39 e o 41 também, para cada modelo escolhido. Uma certa folga é importante para compensar o inchaço dos pés durante longas jornadas, mas nada de exagero (um ou dois números a mais, no máximo, já é o suficiente).
4. Compre no final do dia ou à noite. É quando seus pés, depois de um dia inteiro de trabalho, vão estar inchados, como se estivessem numa trilha.

5. Não tenha pressa. Invista tempo na escolha. Tente o maior número de modelos que você puder. Com calma, sem pressa, experimentando. Não é brincadeira: sua vida pode depender de uma escolha errada.

6. Leve as meias que você vai usar ou compre-as antes de escolher as botas. Você deve experimentar as botas com as meias que vai usar na caminhada.

7. Preste atenção nos dedos. As botas não devem apertar seus dedos. Mesmo que elas laceiem, ganhando mais espaço interno e volume, não vão ficar mais longas. Uma descida com os dedos sendo apertados contra a parte frontal da bota pode transformar-se num martírio. Unhas aparadas são absolutamente necessárias.

8. Coloque a bota e fique andando pela loja o máximo de tempo possível. Alguns pontos de pressão só vão aparecer depois que os materiais da bota estiverem aquecidos. Não há outra forma de verificar, a não ser andando pela loja, por um bom tempo. O vendedor que tenha paciência. Se reclamar, diga para ter paciência. Você vai estar empatando uns 400 reais no equipamento mais fundamental de sua aventura. Ele que espere. E sorrindo.

9. Pense numa bota que seja útil para a maioria dos trekkings que você pretende fazer. Se você costuma fazer caminhadas leves, mas compra uma bota pesada por causa de uma caminhada em especial, depois vai carregar esse peso extra quando voltar às caminhadas de rotina.

10. Ouça seus pés. O principal atributo que você deve procurar é CONFORTO. Ele deve estar acima de tudo. Qualquer outro argumento técnico perde para conforto quando você está pagando seus pecados numa trilha pesada, com 8 horas de caminhada ou mais.
Depois, é usar, usar, usar. Não existe outra forma de amaciar e de descobrir onde estarão os pontos de pressão com possibilidade de formação de bolhas. E descobri-los ANTES de cair na trilha é absolutamente imprescindível.

Escolhendo mochila para trekking: conforto + tipo de carga + tipo de trilha

1. Para ter o conforto necessário, você tem que conhecer as medidas de seu torso. Para descobrir a medida, pegue uma fita métrica e meça da sétima vértebra (aquela mais protuberante no final de seu pescoço) até o ponto mais baixo de seu quadril, mais ou menos na altura dos ossos da bacia.

2. As mochilas são presas ao corpo por uma série de tirantes. Alguns passam pelos ombros, outros pelo peito, mas o mais importante é aquele que fica logo acima da cintura. É esse tirante que vai sustentar a maioria do peso durante toda a caminhada. É importante então que você se assegure de que esse tirante, ao estar apoiado logo acima da cintura, não na barriga, esteja confortável, firme e não escorregue.
3. Tenha paciência. A mochila é um equipamento crítico. Se possível, leve para a loja tudo aquilo que você vai ter que colocar na mochila. Quando definir o modelo que você quer, coloque todos os pertences dentro dela, e ande pela loja por um bom tempo para experimentar e ter certeza que atende as suas necessidades.

4. Não economize. Compre a melhor mochila que você conseguir, desde que ela sirva confortavelmente. Como nas botas, conforto é o atributo mais importante.
5. Defina sua carga. O que você pretende fazer? Vai passar 2 ou 3 noites na trilha? Vai sair na neve? Vai carregar toda a carga ou terá carregadores? Dependendo da trilha, você poderá usar uma mochila pequena. Ou então uma grande, com acessórios para carregar equipamentos extras.

6. Considere a trilha. Se você vai caminhar por trilhas bem mantidas, uma mochila com estrutura externa pode ser considerada. Mas se você vai seguir por trilha selvagens ou íngremes, onde o equilíbrio seja crucial, é melhor uma mochila com estrutura interna.
7. Considere a versatilidade. Se você gosta de fazer trekkings curtos depois que estiver com o acampamento montado, considere uma mochila que tenha opção de separar-se em outra menor. Existem vários modelos que permitem que, separando-se uma parte, você tenha uma mochila menor para uma caminhada leve.
8. Respeite seu estilo. Se você é daqueles que querem "um lugar para tudo e cada coisa em seu lugar", talvez deva escolher uma mochila com estrutura externa e um monte de bolsos. Se você quiser alcançar sua garrafa d'água durante a caminhada, não vá se frustrar com uma mochila cheia de bolsos inacessíveis.

9. Planeje com seus parceiros. Se você vai em grupo, verifique os equipamentos que o grupo precisará levar (barraca, fogareiro, comida, etc.), distribua-o e compre a menor mochila possível.
10. Pense em hidratar-se. Durante a caminhada, tomar líquidos é essencial. escolha uma mochila que tenha bolsos especiais para carregar a garrafa d'água ao seu alcance. Nada mais frustrante que ter que tirar a mochila para alcançar isto ou aquilo, no meio da caminhada.
Saco de dormir em trekking: como escolher entre os materiais, temperaturas e modelos disponíveis
1. Se é a primeira vez que você compra seu saco de dormir, evite decidir logo na primeira loja. Visite várias, compare os modelos e preços. São dezenas de opções.

2. Busque ajuda de quem conhece. Pergunte aos vendedores sobre capacidade isolante, materiais, modelos especiais para mulheres e tudo que possa lhe interessar. Se as respostas forem vagas ou não inspirarem confiança, procure outro vendedor ou vá para outra loja. E diga por que você está indo.

3. Existem dezenas de materiais que fazem o revestimento e enchimento dos sacos. Cada um com determinada característica. Uns esquentam mais, outros pesam mais, outros secam mais rápido. E importante saber que tipo de clima você vai enfrentar, quanto peso está disposto a levar, se vai dar para secar e assim por diante.

4. Experimente. Não tenha vergonha de entrar no saco de dormir, na loja mesmo. Use os zíperes, entre e saia do saco rapidamente, use o capuz, vire de lado, verifique o conforto e se você cabe direitinho. Dobre o saco e coloque-o dentro do saco de transporte para ver de que tamanho fica e quanto esforço é necessário.

5. Observe os pés. Verifique se existe uma sobra de espaço nos pés, de pelo menos 10 centímetros. Isso ajuda o isolamento, pois permite que algum ar fique no espaço. Mas cuidado para que esse espaço não seja maior que 18 centímetros, de forma a ter uma área extra e inútil para aquecer.

6. Traga sua mochila. Se você vai carregar o saco de dormir na mochila, é importante verificar se ele cabe. Se necessário, compre as fitas de compressão, que apertam o saco de dormir reduzindo seu tamanho.

7. Conheça sua forma de dormir. Você sente sempre frio? Pois procure um saco para temperaturas mais baixas do que aquelas que você vai encontrar. Tem claustrofobia? Procure um saco que tenha mais espaço interno que o normal.

8. Seja realista. Escolha um saco de dormir que esteja de acordo com as temperaturas médias dos locais para onde você costuma ir. Talvez você não precise de um saco de dormir para utilizar ao relento, em lugares extremamente úmidos ou pendurado numa rocha a 3.000 metros de altura. É preferível comprar algo mais realista e depois, se necessário, fazer as adaptações com acessórios.

9. Compre um sistema. Se você já tem um saco de dormir mas quer algo mais leve, mais quente ou mais frio, considere comprar uma sobrecapa ou um "liner", um saco de dormir finíssimo. A combinação desses acessórios vai dar muita versatilidade e poupar tempo e dinheiro.

(Texto adaptado com informações de Luciano Pires e Christian Matsuy)

Simples atos podem ajudar a preservar o meio ambiente

O dia 05/06 foi oficialmente instituído o Dia Mundial do Meio Ambiente em 1972, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a primeira conferência sobre o tema. Desde a década de 70, muitas comemorações e iniciativas foram tomadas neste dia ou semana em prol da natureza. Saiba como preservar o meio ambiente a partir de simples e pequenos atos diários, principalmente quando estiver praticando esporte ou turismo de aventura.

Atualmente, muitos roteiros de aventura já foram traçados no país e são repetidos ano a ano por milhares de pessoas. É justamente essa repetição contínua de trekking nas mesmas trilhas, rafting nos mesmos rios, acampamentos nas mesmas regiões que tem sido a principal vilã do meio ambiente. Por isso, é muito importante que as pessoas não deixem ou pelo menos minimizem suas marcas na natureza.

Atitudes como não fazer uma fogueira, mas usar um fogareiro, ou armar uma barraca sobre pedras e não sobre vegetação para não degrada-la podem fazer toda a diferença se considerado o volume de pessoas que fazem as mesmas atividades nos mesmos locais durante décadas. Algumas dicas básicas podem ser muito úteis para quem gosta de acampar e caminhar por trilhas e se preocupa em preservar a natureza, são elas: acampar em superfícies duráveis e resistentes; sobre o lixo, trazer de volta tudo o que levar; com a natureza, deixar no local tudo o que encontrar; e minimizar o uso de fogueiras e seu impacto.

Em reservas naturais, parques e áreas preservadas em geral, já existem códigos de conduta que podem ajudar a reduzir o impacto ambiental. Dentre as principais instruções estão o planejamento e a responsabilidade por parte do visitante. Delimitar o número de pessoas que irá participar da visita e certificar-se de que pode carregar todo seu lixo fazem parte de um planejamento consciente, assim como aprender técnicas básicas de segurança e dispor de equipamento necessário.

O lixo - Um tópico que vale a pena ser lembrado é a questão do lixo, que é produzido em larga escala e muitas vezes não recebe o tratamento necessário. Os resíduos sólidos como plástico, vidro, metal e papel levam muito tempo para serem degradados e por isso não devem ser deixados em meio a natureza. O ideal é leva-los de volta em sacos plásticos ou em potes, sempre limpando ao máximo o lixo e vedando a embalagem para que os resíduos não vazem dentro da bagagem.

Fonte: Roberta Spiandorim